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Penso: existo ou desisto? Insisto.


Por Marcelo Dalcom (marcelodalcom@msn.com)

Albert Einstein advertiu o mundo há algum tempo: “A força desencadeada pelo átomo transformou tudo, menos nossa forma de pensar. Por isso caminhamos para uma catástrofe sem igual”. Provavelmente, Einstein se referia ao estilo de pensar objetivista, dominador e possessivo que se esgotou com a Primeira Guerra Mundial e não foi substituído por outro modo de pensar, sentir e querer mais adequado à realidade humana, culminando numa manutenção de um sistema social e educacional de igual forma objetivista, por não considerar o sujeito, mas por permitir que o ser humano seja dominado pelo objeto, dominador, não abrindo brechas para as transformações, e possessivo, uma vez que concentram em si tudo e todos.

As tecnologias da comunicação, proporcionadas pela globalização, vêm trazendo profundas mudanças no mundo, caminhando para uma maior hegemonia de valores que privilegiam os controladores/possuidores desse sistema. Essa facilidade de acesso à comunicação quebra inúmeras barreiras culturais, tornando o mundo cada vez “mais perto”. Hoje em dia, a escola e a universidade não são os únicos lugares onde se aprende, onde se obtêm o conhecimento. A proximidade entre as diversas culturas existentes no mundo, esse contato com milhares de pessoas, permitindo um intercâmbio entre processos culturais e educacionais, isso é um fator positivo da globalização, não se pode negar. Todavia, sobre as repercussões de tal intercâmbio e a forma como esse processo tem sido conduzido, muito há o que ser questionado.

A educação tem como finalidade propiciar, ao ser humano, condições para que resolva por si próprio os seus problemas, e não as tradicionais idéias de formar o homem de acordo com modelos prévios, ou mesmo orientá-lo para um porvir. A escola não pode ser uma preparação para a vida, mas sim, a própria vida. Assim, vida-experiência e aprendizagem estão unidas, de tal forma que a função da escola encontra-se em possibilitar uma reconstrução permanente feita pela criança da experiência. A Educação é uma necessidade social, os indivíduos precisam ser educados para que se assegure a continuidade social, transmitindo suas crenças, idéias e conhecimentos.

Comparando-nos ao personagem Neo, do filme Matrix, o que precisa é que todos “abram suas mentes, liberte-se…”, pois é necessário não se ater a nenhuma regra; é preciso livrar-se do medo, da descrença, da dúvida. A educação ainda é como na Matrix, onde os educandos, os alunos são os escravos, devem ser treinados, “domesticados” para poder viver lá; onde são ditadas normas e padrões de comportamento, de atitude, de beleza. É necessário que a Matrix e a educação sejam decodificados, pois estão cheios de signos. Tudo tem um significado e nada é por acaso. Mas ao invés de ficar chorando o leite derramado, é preciso reagir, pois nunca é tarde apara recomeçar, muitas vezes o amanhã pode ser tarde demais.

O filme, na verdade, é uma lição de vida, uma tentativa de resgatar o ser humano (e neste caso o aluno, o educando, o educador, enfim a educação de uma maneira geral), ainda que de forma subjetiva e nem sempre clara, usando para isso da simbologia, da magia, do mito. O conflito presente no filme é muito próximo da realidade da educação, o conflito entre o abstrato e o concreto, entre o imaginário e o real, entre o paraíso e o inferno, entre o consciente e o inconsciente. Zion a cidade da Matrix que simboliza o paraíso, e neste caso, a educação ideal proposta pelos filósofos e pensadores, desprovida de padrões pré-estabelecidos. É uma forma de democratizar as informações, o conhecimento; de se desapegar das ideologias propostas pela educação já ultrapassada; pois não se deve ter a idéia errônea de que se detendo a informação e/ ou o conhecimento tem-se o poder.
Outra coisa também que não pode ser esquecida, é que a relação interpessoal, por parte do educador e do educando moderno, pois não podem ser dissociadas. As experiências de vida de cada ser humano que está na sala de aula, seja ele professor ou aluno. Elas servirão de exemplo e até mesmo de alavanca para as mudanças. Não se deve se esquecer da função social que a universidade deve ter. Quando se fala em intercâmbio, fala-se intrinsecamente em troca não apenas entre os professores e os alunos, mas também em relação à própria sociedade, aos setores produtivos.

Busca-se uma universidade onde seja vinculada com a realidade e não ligada ao mundo virtual, onde exercite a criatividade, onde identifique e analise problemas a serem estudados, onde se incentive o hábito do estudo crítico. Há sempre a necessidade de um entendimento novo. A universidade deve ser, por excelência, o cultivo do espírito, do saber, e onde se desenvolvem as mais altas formas de cultura e reflexão; onde além de se consumir conhecimento, professor e aluno optam por criá-lo e produzi-lo. Mas deve-se lembrar que ser reflexivo, é muito mais do que descrever o que foi feito na sala de aula.

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