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Gestão do Conhecimento Acadêmico


Durante o início da minha vida acadêmica, quando aluno universitário, eu tinha uma visão completamente diferente da que, hoje, estimula e orienta minhas ações como professor universitário. Acreditava que o papel do professor representava quase que em sua totalidade o sucesso de cada aluno dentro de uma sala de aula. Defendia que ele era o elemento central e mais importante do processo ensino-aprendizado. Como estava errado! Verifiquei este meu erro de percepção quando no encontro com o americano Larry Prusak, um dos maiores nomes mundiais sobre Gestão do Conhecimento, tratou do tema e justificou os métodos que aplico dentro das salas de aula.

A informação é commodity

Uma das propostas de Prusak neste encontro foi afirmar que a informação é commodity. Ele defendeu que a informação pode ser adquirida em qualquer lugar e a qualquer momento. Antes mesmo de sua conclusão fiquei imaginando quais seriam os motivos que o levaram a pensar desta maneira. Como ele pôde falar algo assim, se a informação é o maior ativo de uma organização e que ela é a grande ferramenta de formação da cultura organizacional? Mas, ele foi genial ao defender seu pensamento dizendo que não importa mais ter apenas a informação. É fundamental que tais informações se tornem em conhecimento. Hoje, este sim é o principal ativo das organizações.

A história nos responde

Para se gerar a informação é preciso agrupar dados e relacioná-los com algum objetivo. Através da ajuda das tecnologias da informação é possível maximizar a quantidade dados como também a qualidade da informação. O que define o poder de relacionamento e processamento destes dados é a sua quantidade. Quanto mais dados, maior deve ser o poder de processá-los. Um momento histórico: imagine o mundo nos anos setenta. Quantos dados já existiam e que nós não éramos capazes de identificá-los, ora por não ter relação com as nossas atividades ora por não termos tecnologias que permitiam tais relações e processamentos?

Através do uso intensivo dos veículos de comunicação de massa e do avanço das técnicas e estudos orientados pelo comportamento do consumidor, foi possível perceber dados importantes junto à relação de consumo como os hábitos, desejos e necessidades. Neste período a informação era o mais importante diferencial competitivo. Quem conseguia obter estes dados certamente conseguiria gerar informações e maximizar sua atividade no mercado. Acontece que hoje não é difícil uma pequena empresa obter dados suficientes para serem relacionados com alguma atividade promocional a ser realizada. O mundo mudou e, assim a informação, de fato, deixou de ser, historicamente, um diferencial competitivo, pois as Tecnologias da Informação, como celular e o computador estão mais acessíveis para qualquer empresa.

O diferencial é o conhecimento

Então o que se torna, hoje, o grande diferencial entre as organizações? Segundo Prusak é o conhecimento. Mas o que é o conhecimento? Conhecimento segundo ele é o produto da relação entre a informação, criatividade e a experiência. A informação todos nós já sabemos o que é e como conseguir, mas o que é que estes outros dois itens estão fazendo neste tripé?

Justificativas

A experiência é fruto da permissão do sujeito com o fato. Quanto mais ele se permite a experimentar novas sensações, situações e relações mais experiência se concentra.

Dois exemplos podem justificar esta idéia:

O primeiro seria a base de Alcântara onde infelizmente ocorreu o trágico acidente com o foguete desenvolvido pelos brasileiros. Lembra? Na ocasião alguns engenheiros e cientistas morreram e não se ouve mais falar neste projeto. Segundo explicações ditas na época do acidente o projeto só seria retomado com toda a força após aproximadamente dez anos. A justificativa dada foi que com a morte daqueles profissionais também morreu a experiência vivida por eles. Mesmo que estejam registradas as informações sobre o projeto em algum lugar, a experiência daqueles homens, na verdade, era o principal ativo daquele projeto.

Outro exemplo, não tão recente assim, foi a demissão ocorrida com a quebra (ou quase) da Varig, em 2006. No mesmo instante em que muitos profissionais eram demitidos as outras empresas concorrentes passaram a contratar estes pilotos e comissários de bordo. Porque tais empresas estavam contratando estes profissionais? O conhecimento que eles tinham principalmente os que trabalhavam em rotas internacionais era o que importava para estas empresas. Mas, elas não poderiam treinar novos comandantes e pilotos? Certamente que sim, mas o aspecto temporal decidia as ações a serem tomadas. Tornou-se melhor obter um profissional, mesmo que mais caro, mas já com experiência, do que investir em um outro e deixar a experiência ser criada com o tempo.

A criatividade é a outra unidade que faz parte do conhecimento. Segundo Prusak é preciso ter criatividade para relacionar as informações com as experiências. A criatividade é o elemento que permite criar e manter o conhecimento em evidência. Ele ainda afirma que o próximo passo após criar o conhecimento é exercer a capacidade de mantê-lo sempre vivo. O conhecimento é volátil e caso não seja utilizado com freqüência a tendência é se dissipar ao ponto de sumir.

Enfim, o conhecimento acadêmico

Voltando ao tema deste artigo fico imaginando de que maneira o conhecimento é criado nas faculdades e universidades. Qual o papel do professor, do aluno, da sociedade e da própria instituição na gestão deste conhecimento? Percebo que são poucos os alunos que se permitem experimentar com as informações transmitidas pelos professores. Percebo, também, que são poucos os professores que se permitem a experimentar um relacionamento mais próximo com os alunos e os seus problemas. As instituições de ensino não usam a criatividade para o sustento deste conhecimento e a sociedade anda cada vez mais na periferia deste assunto. Lógico que tudo isso são apenas minhas percepções, mas acredito que as mesmas são compartilhadas por muitos.

O aluno x professor: quem experimenta detém o conhecimento

O grande papel do professor contemporâneo é a transmissão da informação. O aluno precisa entender esta realidade para poder interferir neste processo de ensino-aprendizado e experimentar. O professor passa a informação, mas só vai se transformar em conhecimento aquele que experimentar. Percebo que existem forças que impedem o aluno a experimentar. Tanto por lado do próprio corpo discente que quase sempre reprime a quem faz alguma pergunta que não seja a excepcional como também por parte de alguns professores que ou agem da mesma maneira ou não possui habilidades para compreender ou ser compreendido.

A participação dos alunos se torna uma tarefa difícil em quase todas as disciplinas. A falta de atenção ou interesse por parte dos alunos também prejudica a gestão deste conhecimento.

Os alunos se diferenciam entre si e as turmas seguem o mesmo pensamento. No entanto alguns professores mantêm as mesmas ferramentas para o ensino como também avaliativas para todas as turmas. Muitas vezes falta criatividade, critério, sensibilidade e interesse por parte dos professores para mudar.

Qual o seu papel nesta gestão do conhecimento acadêmico?

Claudio Nossa – claudio@inpromo.com.br

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